Retrato em Branco e Preto

17.1.18

Dos álbuns

Já que estamos falando de música e de memórias, resolvi listar aqui os cinco artistas que estão tocando em loop infinito na nossa casa nesses últimos dias.

.:Siba:.
Toda vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar” e “Avante”: lindos de uma ponta a outra, poesia pura, escuto todos os dias pelo menos um desses álbuns dele. Foi uma das melhores descobertas musicais tardias que tivemos por aqui. Preciso fazer um post depois falando sobre as minhas músicas preferidas, mas enquanto esse dia não chega, fica aqui a dica para que você possa conhecer essa maravilha também.

.:Rita Beneditto:.
Acompanho o trabalho da Rita desde o álbum Rita Ribeiro, que é maravilhoso! Nessa semana vi o show do Technomacumba e a proposta é muito bonita, principalmente para ajudar no combate ao preconceito com relação ao que desconhecemos da nossa história e da nossa própria cultura. O show tem a participação linda da Maria Bethânia nessa canção para Iansã. Vale a pena ouvir não só esse, mas os álbuns antigos também, viu? Rita tem uma energia maravilhosa e transmite isso na sua voz e suas músicas. Vou deixando o link para a discografia aqui.

.:Cidadão Instigado:.
O "Uhuuu" com certeza segue sendo o meu ábum favorito de uma ponta a outra, mas também temos ouvido bastante "O ciclo da dê.cadência" e "O Metódo Tufo de Experiências". Fomos ao show comemorativo de 20 anos da banda no ano passado e foi muito legar poder ouvir “o verdadeiro conceito de um preconceito” ao vivo. A banda dispensa comentários, muito boa mesmo!


.:Herbert Vianna:.
Um dos nossos passatempos favoritos é ver festivais e shows antigos das nossas bandas favoritas no youtube. De link em link, acabamos caindo no "Victoria", álbum lindinho do Herbert Vianna. Vale a pena ouvir e cantarolar junto também.

.:Gilberto Gil:.
Gosto muito de trabalhar ouvindo o "Refazenda" do Gil, um clássico. Não tem como ficar de mau humor ouvindo essas músicas minha gente, acho lindo e me acalma bastante. Nesse álbum tem a versão mais linda que existe de Lamento Sertanejo, é de chorar.


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E vocês, estão ouvindo o quê? Conta aí! :)

16.1.18

Das saudades

Ontem foi impossível não voltar no tempo e me encontrar novamente em um final de tarde em 99, voltando para casa depois da aula, vendo o céu mudar de cor pela janela do meu quarto e ouvindo a inesquecível cidade do rock no rádio. É incrível o poder que a música tem: um acorde e você rememora os sorrisos, as angústias, os cenários e a euforia de cada momento e de cada história. Que saudade!

8.1.18

Dos egoísmos

2017 bateu a porta e deixou muitas questões em branco, diga-se de passagem, para que eu pudesse responder só agora em 2018. Foi assim que eu me senti até o último minuto do ano, com o desânimo de uma péssima aluna, de recuperação, recebendo uma pilha enorme de tarefas de casa para fazer quando tudo que eu mais queria era estar de férias.

Das muitas lições recebidas no ano que se encerrou, a principal (e a mais clichê) foi compreender que eu tenho sim muito que aprender para ser uma pessoa melhor, mas que nada irá fazer sentido enquanto eu não for uma pessoa melhor para mim mesma. Ponto final. Levando em consideração essa minha brilhante e tardia descoberta, nesse ano resolvi aceitar um convite pessoal para me colocar em primeiro lugar.

Foram inúmeras as crises de ansiedade e de estresse. Foram noites mal dormidas, madrugadas em que acordei preocupada com um prazo de algo que nem cabia a mim resolver, noites em que eu simplesmente apaguei de cansaço, sem aproveitar o meu tempo livre ao lado das pessoas que amo. Pra quê? Qual é o sentido de abraçar uma vida e uma rotina destrutiva dessa forma? E o pior, que eu mesma impus para mim?

Todas as experiências foram incríveis e muito válidas. Cresci tanto, conquistei tantas coisas maravilhosas, foram tantas mudanças positivas também! Mas, cabe a mim agora escolher o caminho mais adequado para viver de maneira coerente com aquilo que acredito e para ter uma vida mais tranquila na medida do possível e no que depender de mim e estiver ao meu alcance. Portanto, declaro oficialmente que em 2018, haja o que houver, estarão acima de tudo meu bem estar, minha saúde mental, meu tempo e minhas possibilidades.

Feliz ano novo para nós.

19.12.17

Dos fins

Eu tinha esquecido completamente o que é vivenciar um final de semestre com toda aquela confusão de aulas, provas, trabalhos em equipe e seminários a perder de vista. É engraçado que por mais que você se organize, a coisa toda é meio que projetada para virar um caos e uma verdadeira maratona de resistência física, psicológica e emocional! Depois de ver as notas publicadas no sistema, deu para respirar com um certo alívio, desacelerar a mente e achar graça dos perrengues. Um viva às noites livres e ao semestre que vem! :)

29.10.17

Do amanhã

Eu frequento uma terapia em grupo há algum tempo. Temos um encontro semanal onde lemos um texto, fazemos uma reflexão sobre o que foi lido e depois as pessoas se sentem a vontade para falar ou não sobre o tema em questão. Compartilhamos situações difíceis, pequenas vitórias, algumas tristezas e aprendemos sobretudo a ouvir e a tentar compreender o outro. Opiniões são dadas, novos pontos de vista compartilhados e a cada encontro saímos com a sensação de que temos ainda muito a aprender. Tem me feito muito bem.

Em um desses encontros, conversávamos sobre a violência e as suas consequências nas nossas vidas. Nossa mediadora, que é uma pessoa de uma sensibilidade incrível, encontra sempre o momento certo para intervir e fazer algum questionamento que nos leve a analisar a situação por um prisma diferente. Na última reunião ela fez o comentário que transcrevo abaixo:

Muito se fala sobre violência, sobre o medo de morrer, sobre a possível existência de vida após a morte... Mas existe vida antes da morte?”

Foi interessante ver um grupo de mais de vinte pessoas emudecer ao mesmo tempo. Nós temos a certeza de somos indestrutíveis, de que nada de mal nos acontecerá, de que a morte não baterá à nossa porta e seguimos deixando tudo que deveria ser primordial para depois. Para depois a ligação para os pais, o abraço na avó de quase noventa anos, o “tá tudo bem com você?” para os próprios irmãos, o agradecimento ao amigo um pouco ausente... E se o amanhã não chegar?

O quê você anda fazendo da sua vida?
E da vida das pessoas que passaram pelo seu caminho?
Que sementes você quer deixar para quando não estiver mais aqui?
Que lembranças os outros terão de você?

Há algum tempo eu passei a me cobrar responsabilidade sobre os meus atos e sobre as consequências diretas e indiretas que eles podem exercer sobre outras pessoas. É um caminho difícil e obviamente não podemos trazer para nós todas as consequências das escolhas de outras pessoas, mas acredito seriamente que muitos problemas poderiam sim ser evitados se todos tivessem um pouco mais de consciência de si e dos seus atos. 

Como a última reunião nos deixou com esse convite à reflexão, resolvi vir ao blog para deixar um registro e para fazer um convite também a quem quer que passe ao acaso por aqui. E, por mais clichê que possa soar: o que você fez da sua vida até hoje? E se o amanhã não chegar?

11.10.17

Dos renascimentos

Parece que a tal crise dos trinta atrasou um pouquinho e só chegou agora, dois anos depois, me fazendo questionar ainda mais alguns caminhos e escolhas. Diferentemente de outras ocasiões, esse momento tem sido encarado de uma maneira muito positiva. Tem sido um convite para analisar aquilo que precisa ser modificado com mais urgência e como uma grande oportunidade para se reinventar.

A verdade é que, por mais que a gente tente todos os dias, não dá para fugir de si mesmo durante muito tempo, todos nós sabemos disso e teimamos em não acredidar. Ir contra a sua consciência e a sua essência é algo que demanda tanta energia, então porque aceitamos determinações e esteriótipos de um modelo de vida comprovadamente fracassado? Como consequência, temos o esse vazio.

Por mais clichê que possa parecer, é engraçado como o universo tende a emitir sinais para avisar que você não está sozinho na caminhada quando você se conecta e deixa de lutar contra a sua verdade. A lista de possíveis coincidências chega a assustar! Os pequenos milagres cotidianos passam a ser mais frequentes, as respostas um pouco mais rápidas e isso demanda atenção e principalmente ação.

Após analisar o que me tornei e onde estou após esses trinta e dois anos de constante construção, é chegado o momento de reformar, desconstruir, transformar e transbordar para o caminho que ainda tenho a ser vivido. Embora os planos estejam ainda com alguns fios muito soltos e outros bastante emaranhados, estou muito otimista e grata ao universo por me permitir renascer.

7.10.17

Das pistas

Tenho encontrado diariamente algumas pequenas pistas mostrando que estou no caminho que escolhi como correto. Sigo por alguns dias na névoa da dúvida, vacilando entre um passo e outro, temendo escorregar desfiladeiro abaixo. A subida tem sido muito íngreme, tenho machucado meus pés e o cansaço me faz querer desistir, mas sigo forte agarrando com unhas e dentes o que pode servir de apoio para o próximo passo.

Outro dia pulei de felicidade ao reconhecer mais uma possível pequena migalha no chão comprovando que as voltas foram sim muito necessárias. Como a vida é clichê e engraçada! Só agora eu poderia estar onde estou, só agora aparecem os elementos necessários para realizar aquilo sempre guardei aqui no campo das ideias e que nunca encontrei oportunidade sequer para verbalizar.

É difícil escolher um caminho diferente dos demais, já que para muitos é inaceitável compreender que fracasso e sucesso são apenas pontos de vista diferentes daquilo que o outro projetou para si. Mas sigo em frente sempre atenta às migalhas na floresta de sonhos e medos, acreditando que busco o que acredito que é o essencial e o mais correto para mim.


3.10.17

Dos atropelos

Era a última sexta-feira de setembro quando fui ao supermercado que fica ao lado do trabalho para comprar alguma bobagem e os funcionários já trabalhavam na construção de uma pirâmide de panetones. Voltei ao corredor principal para conferir se os meus olhos viram mesmo o que estava acontecendo ou se eu estava vendo uma miragem. Já estamos na primeira semana de outubro e por mais que a gente fuja, de um jeito ou de outro, já é natal.

22.9.17

Das paredes

Caminhando pelos corredores da Universidade, percebi a presença de alguns cartazes amarelos em alguns locais bem estratégicos. É como uma porta que se abre na hora certa em um corredor que não tem saída, daquelas que você olha, mas não vê se não estiver realmente atenta. Frases como “você é importante”, “não se cobre tanto”, “foi só uma prova” estão espalhadas por todo o prédio e no hall de entrada existe um painel incentivando os alunos a escrever o motivo pelo qual vale a pena viver. Apesar de ser uma ação aparentemente boba e simples, foi engraçado perceber como eu, que estava em um dia muito difícil, me senti confortada. Espero que mais alguém tenha se sentido abraçado também e, principalmente, que tenha encontrado um motivo para seguir em frente e para pedir ajuda.

10.9.17

Do domingo

Acho que assim como grande parte das pessoas, nunca fui muito fã do domingo. Por mais que eu aproveite bem as minhas horas de descanso no sábado, sempre tenho aquela famosa depressão pré-segunda-feira. Bem que o relógio poderia desacelerar e demorar mais um pouco para o final de semana acabar, não é mesmo? Mas já que não dá, o jeito é encarar a realidade.

Para falar a verdade, domingo continua não sendo o meu dia da semana favorito, mas depois ver por aí nas redes uma imagem que falava sobre aprender a atribuir coisas boas não só para a sexta-feira ou para o sábado, resolvi dar uma nova chance e tentar deixar o preconceito de lado para aproveitar melhor o meu domingo também.

O ideal mesmo seria passar o dia ao ar livre, curtindo uma praia ou fazendo um passeio no parque. Mas, como na realidade nem sempre isso é possível ou eu mesma não tenho disposição para para sair no sol, me dou de presente o privilégio de dormir até um pouquinho mais tarde. Tomo o meu café com calma, converso com minha família, cuido das plantas e faço um pequeno, mas necessário, ritual de beleza.


Ouvir música, ficar em silêncio, ler um livro leve, dormir um pouco mais durante a tarde, aproveitar a cama e a preguiça do fim de tarde sem culpa tem sido muito bom também. Mas o aprendizado mais importante dessa tentativa carpe diem de ser não é só sobre aproveitar o dia de hoje, mas também sobre cuidar da ansiedade e a aprender a deixar o amanhã para amanhã. Sem pressa, um dia de cada vez.

8.9.17

Das impressões

Na última quarta-feira fui à antiga faculdade para cancelar a minha matrícula e a moça da recepção olhou bem seriamente para mim enquanto entregava a folhinha de solicitação e perguntou se eu era maior de idade para realizar o procedimento. Respondi que sim e só pude rir no momento, já que aparentemente foi só cruzar a casa dos trinta para que a sociedade, de uma maneira geral, passasse a me chamar de senhora onde quer que eu vá.

Acho que nunca vou esquecer a primeira vez que uma pessoa me chamou seriamente de senhora. Não foi aquele senhora por educação, foi um senhora por eu aparentemente ser mais velha mesmo. Cheguei em casa chocada. Nunca tive nenhum problema com a minha aparência e muito menos com a minha idade, mas naquele dia eu me questionei se estava mostrando para o mundo uma imagem diferente da que eu sou realmente.

Tudo bem que eu não tenho mais vinte e tantos anos e que pode ser que o estresse diário me torne sim uma pessoa mais séria e sisuda. Será que são as roupas que eu escolho? Apesar de saber que eu sou uma cópia da minha mãe, nunca mesmo me imaginei como senhora. Foi tão estranho! Minha cabeça, meus olhos, meus cabelos cacheados, tudo ali como sempre foi. E eu virei uma senhora.

Falando em mãe, lembrei de um dia em que ela se olhava no espelho enquanto se arrumava para uma festa e me disse que não tinha percebido que o tempo tinha passado. Ela me disse que na cabeça dela ela ainda era aquela menina de vinte anos, mas que o espelho mostrava que não. Na época, eu ainda muito menina, não entendi como alguém não poderia sentir o tempo passar. Hoje eu entendi, mãe. Agora eu senti no reflexo que o tempo não passou também.

4.9.17

Das intuições

Tem gente que não acredita e acha até que é brincadeira, mas pelo menos comigo é incrível como a minha intuição nunca falha. Isso mesmo, nunca, nem nas menores besteiras, nem nas maiores também. Esse é o meu medo.

Mesmo quando todos ignoraram a minha dúvida, eu sentia que aquele detalhe na documentação de um processo do trabalho traria problemas futuramente. E trouxe. Agora é resolver e não "deixar pra lá" nem mais uma vez quando a minha intuição falar.

3.9.17

Dos planos

Para agosto eu tinha um plano secreto de escrever diariamente, nem que fossem duas linhas, para tentar voltar a ter o hábito de sempre passar por aqui. Não teria nada além de uma rotina, de pequenos detalhes ou algumas descrições imperfeitas de acontecimentos que acho que gostaria de lembrar algum dia.

Dos grandes acontecimentos a gente sempre guarda uma recordação, sejam elas alegres ou tristes. Mas, e dos pequenos? O que sobra das pequenas gentilezas, aprendizados, descobertas e alegrias? Por aqui assumo logo que a tendência é esquecer, apesar do meu esforço diário de prestar atenção nas coisas que acontecem ao meu redor. Não tem jeito, a rotina suga as nossas lembranças.

O Retrato sempre me ajudou a guardar os pequenos detalhes de cada momento que registrei por aqui. Sempre que leio um post antigo, consigo sentir exatamente o que eu estava sentindo e o que me motivou a escrever. Em alguns deles, consigo até mesmo o visualizar o momento em que escrevia, a roupa que estava usando e o local onde estava. De uns anos pra cá, apesar das experiências continuarem acontecendo, sinto como se eu estivesse deixando o livro das minhas memórias em branco.

Completei 32 anos no dia 27 e não tem uma linha escrita sobre esse dia. Sobre como acordei tarde e encontrei ele arrumando a casa para que eu não me estressasse com a bagunça de sempre; sobre como minha sogra chegou com duas sacolas carregadas de ingredientes e preparou uma peixada maravilhosa para o nosso almoço; sobre como o dia correu calmo, quente e melancólico como qualquer domingo; sobre ter a sorte de estar perto da minha família; sobre quem não precisa de nenhuma rede social para lembrar e nunca esqueceu.

Tentei me lembrar também dos detalhes de alguns dias que foram importantes para mim nesse hiato não planejado aqui no blog e o que veio na memória foi uma mistura de dias iguais e muito vazio. Bem, foi por conta dos mesmos motivos de sempre que o plano não funcionou em agosto, mas vai funcionar em setembro sim! Assim espero.

24.7.17

Das faxinas

Há tempos a casa perdia espaço para tralhas e caixas de guardados alheios. Com o fim do semestre e a rotina pesada de trabalho, pilhas e pilhas de papéis e rascunhos escritos acumulados sobre a mesa já não deixavam disponíveis um palmo do vidro. Eu me entristecia a cada dia ao ver o caos por todos os lados, foi como perder o controle de mim e de nós.

Eu pedi ajuda e ele, perdido entre químicas e cálculos, disse que ajudaria assim que as provas acabassem. Eu esperei, o semestre acabou e no dia seguinte ele acordou de vassoura e pá na mão. Rasgou papéis, selecionou livros, eliminou caixas, martelou pregos e deu banho no cachorro. Foram dois dias intensos de reorganização que permitiu aos poucos voltarmos a enxergar os espaços com outros olhos.

Antes de dormir, com os ossos da coluna trincando de dor, agradeci pela ajuda e principalmente por ele ter poupado minhas costas ao fazer sempre a parte mais difícil do trabalho. Acho que nesses tempos de egoísmo, dividir a faxina pesada é uma das maiores provas de companheirismo e de amor que se pode ter.

9.7.17

Dos Julhos

Há cinco anos, durante uma viagem de férias, decidimos deixar a nossa já estável rotina e voltar para Berlim. Em um mês organizamos mudança, demissão dos nossos empregos, fizemos as malas e caímos na estrada. Lembro de ter chorado um pouco ao avistar os muros coloridos contrastando com o céu cor de chumbo da Inglaterra pela última vez, mas ele não estava feliz e nada nos prendia realmente ao lugar.

Há quatro anos eu já tinha uma vida um pouco mais organizada na Alemanha, um emprego maluco em uma startup em ascensão, uma equipe de trabalho que se transformou em amig@s querid@s e meus lugares preferidos na cidade. Lembro de ir caminhando ao trabalho, atravessando parques, ouvindo música e prestando atenção em cada detalhe.

Há três anos, nos mudávamos para um apartamento com quase nenhuma mobília e sem nenhuma cortina, mas com tanta luz que a casa se preenchia de cor durante todo o dia. Lembro-me muito bem da noite do fatídico 7x1, mal conseguimos dormir por conta da cantoria que ecoava pelas ruas vazias de tráfego e repletas de grupos que esbanjavam alegria. Da janela, viamos toda a cidade festejando e o céu colorido com os fogos de artifício.

Há dois anos, desembarcávamos em Berlim novamente após curta temporada no Brasil. Dessa vez, voltávamos para desfazer os nós, os contratos, as contas no banco e demais vínculos que nos ligavam ao lugar. Foram os dias mais bonitos, o verão mais quente, os passeios mais alegres que já fiz. Sinto até hoje o aperto no peito dos abraços e do medo que senti ao deixar o meu horizonte de todos os dias rumo ao que tinha se tornado desconhecido.

Há um ano, já em Fortaleza e ainda completamente bagunçada após o retorno de uma curta temporada de vivência em João Pessoa, recebia o convite para um trabalho muito legal e passava novamente no vestibular. Naquele julho eu sentia que, aos poucos, conseguiria sair da inércia e do limbo pós-retorno e voltaria a me envolver com a cidade que escolhemos para viver.

Nesse julho, completo um ano no trabalho. Descobri novos interesses, conheci novas pessoas, tenho uma rotina muito maluca e sinto que tenho dado pequenos passos todos os dias. Estou prestes a iniciar uma nova graduação, que foi um grande conquista e também uma grata surpresa nesse processo de reconstrução e de religamento de laços.

Quem diria que após tantas idas e vindas, tantas mudanças, tantos medos e receios de tomar decisões gigantescas, estaríamos realizando exatamente aquilo que colocamos no papel? Olhando para trás, percebemos que quatro anos não são nada e que a vida passa enquanto perdemos tempo e adiamos escolhas. Nesse exato momento me sinto feliz por escolher não ter medo de arriscar.

18.6.17

Dos respiros

Aproveitamos o último feriado para desligar a nossa mente do mundo e da rotina. Acordamos cedo, fomos à praia, mergulhamos e caminhamos sem pressa ou hora para voltar para casa. Tivemos um almoço animado que, entre conversas e risadas, cervejas e sorvetes, memórias e afetos, acabou se transformando em café e depois em jantar.

A gente precisava disso, de sair da correria, da hora marcada dos prazos e burocracias sem fim. Voltamos para casa já tarde, sem uma gota de cansaço no corpo, e parece que esse dia de pausa foi mesmo um respiro para a alma. Dormi sem hora para acordar. Me comprometi comigo mesma a ficar longe do computador, das notícias, do telefone e ou de qualquer outra lembrança da minha rotina dos últimos dias.

Estou aqui nesse momento, enquanto escrevo, tentando pensar no que realmente vale a pena nessa vida. O trabalho, a correria, o estresse, o cansaço, tudo isso está me levando para onde? Para um destino feliz e saudável é que não é. Não me arrependo de nenhuma escolha, de nenhum desafio, mas definitivamente preciso aprender a rodar todos os pratos e a tratar todas as prioridades de maneira mais equilibrada.

Preciso maneirar também a minha carga de responsabilidade, a enfrentar os problemas do dia a dia de maneira mais leve e a entender que aquilo que não possui remédio, remediado está. Vou buscar um tratamento para essa ansiedade louca, vou aprender a meditar e se preciso for, cortarei também o café e o que mais for necessário para me acalmar.

Amanhã volto à rotina, mas volto com o compromisso de que darei um passo de cada vez até que cada coisa na bagunça da minha vida encontre o seu devido lugar. Não mais que o devido espaço necessário que lhe couber: uma hora de cada vez, um dia de cada vez, um pensamento de cada vez até que minha cabeça se adapte ao novo ritmo e reaprenda a funcionar.

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Update: essa mudança será bem mais difícil do que eu imaginava. =~~~

7.5.17

Dos alertas

Os dias têm passado sem que eu me dê conta, nem acredito que já é domingo outra vez. Tudo bem que os benditos feriados de abril contribuíram um pouco para essa sensação de distorção do tempo, fazendo das quintas novas sextas e das terças novas segundas. Mas os feriados, apesar da grande ajuda, foram poucos para uma cabeça que não descansa.

Não encontrei ainda a fórmula mágica do equilíbrio e preciso confessar que esse tudo-ao-mesmo-tempo-agora de acontecimentos têm me levado à completa exaustão física e mental. Parece que vinte e quatro são poucas horas ou então sou eu que estou tentando dar passos mais longos que minhas pernas podem alcançar.


Já recebi um sinal de alerta, preciso desligar.

23.4.17

Das Caixas

Depois que aprendi a me desapegar de quase tudo, tem sido difícil para mim voltar a comprar determinadas coisas. Como nesse momento tenho a sorte de ter acesso a várias bibliotecas por aqui, sempre que preciso de um livro para estudo ou lazer, recorro ao empréstimo. Isso tem funcionado bem para mim, o que me leva a comprar livros somente quando preciso dar algum presente.

Nos últimos meses, senti necessidade de começar a adquirir um material mais “meu”. Com o retorno aos estudos, obviamente, preciso fazer observações e anotações e, por usar um material emprestado, eu não poderia riscar ou danificar de nehuma forma os livros que estavam comigo. Acho um absurdo quem suja, danifica e rabisca um livro alheio, principalmente os da bibliotecas.

Eu já estava “juntando as moedas” para adquirir os livros mais urgentes na bienal essa semana quando tive uma grata surpresa. O vizinho que está de mudança deixou uma caixa de livros na rua para doação. Quando abrimos a caixa, advinha só quem estava lá entre tantos volumes: os três livros que eu iria comprar! Não teve jeito, abraçei os livros e pulei de alegria. Quem não pularia?

5.4.17

Dos sustos

Agora somos parte das estatísticas, minha mãe e eu.

Ela, que foi diagnosticada com dengue na última sexta-feira, quase nos matou do coração ao perder os sentidos e desmaiar de tão fraca que estava. A sorte foi minha irmã estar bem perto e perceber o exato momento em que nossa mãe se desequilibrava. Ela não se machucou, foi hospitalizada e muitas horas e litros de soro na veia depois, voltou para casa. Ela está de repouso absoluto e está se recuperando bem.

Eu não me sentia bem desde a última quinta-feira, mas ainda não havia aparecido nenhum sintoma concreto. Na sexta, as primeiras manchinhas no corpo surgiram, mas depois do susto que levamos com minha mãe, fiquei meio anestesiada. No sábado, me senti um pouco mais fraca, mas o dia foi relativamente normal entre goles de soro caseiro, água de côco, sopas e sucos. Era madrugada quando levantei para verificar se minha mãe estava com febre, fui à cozinha buscar água e então aconteceu: perdi os sentidos e desmaiei também.

Que coisa mais esquisita é perder o controle de si! Eu achava que "estava bem" e não percebi o quanto o meu organismo ainda estava fraco. Como cai com o rosto direto no chão, que maravilha, fiquei com o lado direito um pouco machucado, mas nada demais. O "lado bom" desse caos todo foi o carinho e cuidado que recebemos de todos durante esses dias de molho em casa. Somos peças de uma engrenagem muito maior e não vejo a hora de estar funcionando 100% novamente. Estamos quase lá!


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ps: Gente, com essas chuvas não dá mesmo para dar bobeira para os mosquitos! Fiquem de olho para não deixar água parada por aí também! <3

25.3.17

Dos voos

Em 2011, exatamente nesse mesmo dia, embarcávamos para a nossa aventura no velho mundo. Foram três meses que se transformaram em quatro anos de crescimento e de experiências incríveis. Basta fechar os olhos para reviver o primeiro dia, o primeiro café da manhã e a primeira caminhada pela cidade. Tudo era incrivelmente mágico e eu não conseguia acreditar que estava lá depois de tanto tempo, tantos planos e tantos adiamentos.

(…)

Foi incrível, mas não me arrependo de ter voltado, apesar do cenário atual, das lamentáveis últimas notícias e de todos os pesares envolvidos. As experiências profissionais e pessoais que vivemos aqui nesse momento também foram muito desejadas e planejadas. Não sabemos ainda o que será de nós nos próximos anos, mas sinto que é como se estivessemos novamente na fila, aguardando a nossa vez para pular no trampolim de novas possibilidades.





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ps: E a vontade de colocar o circunflexo no título? =P